Banco para Compensações Internacionais: transações diárias de Blockchain podem parar a Internet

Em seu último relatório, a instituição financeira administrada pelos bancos centrais do mundo questionou a capacidade das criptomoedas de realizar o potencial alegado.

Publicado em 18 de junho de 2018 por

Em seu último relatório, a instituição financeira administrada pelos bancos centrais do mundo questionou a capacidade das criptomoedas de realizar o potencial alegado. Isso foi relatado pela CoinDesk.

Em um relatório publicado no domingo, intitulado Cryptocurrencies: looking beyond the hype, o Banco para Compensações Internacionais – Bank for International Settlements, BIS – explica a história da tecnologia e analisa se ela realmente pode criar uma forma confiável de dinheiro. O documento precede o relatório econômico anual da organização, que será publicado na próxima semana.

Citando os hardforks, a concentração da mineração, o surgimento e a rápida disseminação de novas criptomoedas, a volatilidade do mercado e questões de dimensionamento como os principais problemas atuais, o BIS concluiu que “a tecnologia descentralizada de criptomoedas, não importando a quão sofisticada, é um mau substituto para o poderoso suporte institucional ao dinheiro”.

Além disso, de acordo com o banco, a utilização da Blockchain no processamento de pagamentos diários de varejo “pode levar a uma paralisação da Internet”.

“Para lidar com o número de transações digitais atualmente processadas por sistemas individuais de pagamentos, mesmo sob as premissas mais otimistas, o tamanho do registro em poucos dias excederá significativamente a capacidade de armazenamento de um smartphone típico, em algumas semanas, de um computador pessoal e em alguns meses, o tamanho dos servidores”, diz o relatório do BIS.

O relatório também afirma que apenas supercomputadores têm o poder de processamento necessário para conduzir cada transação de varejo na Blockchain, e que, mesmo que haja supercomputadores suficientes para criar uma rede descentralizada, “milhões de usuários trocarão arquivos cujo tamanho será de vários terabytes”.

Como acreditam os autores do relatório, é essa enorme quantidade de dados que terá um impacto negativo na Internet.

Eles também criticaram os mineradores, observando que seu trabalho depende de vários pré-requisitos: os mineradores honestos devem controlar uma enorme rede de poder de computação, os usuários devem verificar o histórico de todas as transações e a emissão de moedas é predeterminada pelo protocolo.

O BIS também avaliou os registros distribuídos mais positivamente, observando que essa “tecnologia pode ser aplicada em outras áreas”.

Como dizem os autores do relatório, a tecnologia de registro distribuído pode facilitar pagamentos transnacionais e auxiliar áreas de nicho, “onde os benefícios do acesso descentralizado excedem os custos operacionais mais altos de manter várias cópias do registro”.

Em última análise, o relatório observa que a pesquisa continua em outras tecnologias para atingir os mesmos objetivos que os registros distribuídos têm, sendo que “não está claro qual das soluções será mais eficaz”.

Vale ressaltar que em março, pesquisadores do Banco de Assentamentos Internacionais publicaram um relatório que dizia que as moedas digitais emitidas pelos bancos centrais poderiam perturbar a estabilidade do sistema financeiro global.

Chrys
Chrys é fundadora e escritora ativa do BTCSoul. Desde que ouviu falar sobre Bitcoin e criptomoedas ela não parou mais de descobrir novidades. Atualmente ela se dedica para trazer o melhor conteúdo sobre as tecnologias disruptivas para o website.

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