A conta de Twitter da MyEtherWallet, que há alguns dias, passou por uma mudança de proprietário – e nome –, voltou às mãos da equipe anterior.

O próximo ano testará a confiabilidade do ecossistema do Ethereum. Além disso, em 2019, uma das atualizações mais esperadas, o Constantinople, será ativada na rede Ethereum. Essa opinião foi expressa por Kosala Hemachandra, criador da My Ether Wallet, que respondeu às perguntas que preocupam os usuários sobre o estado das coisas na comunidade do Ethereum.

O futuro dos dApps

Hemachandra disse que muitos bons aplicativos descentralizados (dApps) que podem melhorar a experiência do usuário já apareceram na rede Ethereum.

Em sua opinião, os desenvolvimentos progressivos de dApps incluem os produtos da Kyber Network e da MakerDAO, bem como o sistema de nomes de domínio Ethereum Name Service (ENS), uma solução que permite substituir endereços longos por nomes “legíveis”.

Embora esses aplicativos funcionem de acordo com o princípio da descentralização, Hemachandra diz que serão necessários pelo menos cinco anos para que esses dApps interessem ao usuário médio.

“Peço aos desenvolvedores dos dApps que se concentrem na criação de ecossistemas com base na experiência do usuário e na adaptação de iniciantes”, destacou.

A história com ICOs

Kosala Hemachandra acredita que o boom das ICOs foi o melhor e o pior evento na indústria criptomonetária. Em 2017, as startups atraíram mais de US$5,5 bilhões por meio de vendas de tokens. Já nos primeiros oito meses de 2018, esse número ultrapassou US$14 bilhões, aumentando o interesse no setor e impulsionando a criação de soluções inovadoras.

No entanto, no momento do aumento do preço do Ethereum, muitos organizadores e desenvolvedores de ICOs retiraram os fundos arrecadados e deixaram o ecossistema – de acordo com o criador da MEW, embora a comunidade tenha perdido muitas mentes claras da indústria, esses eventos ajudaram a limpar o ecossistema de desenvolvedores que buscavam apenas ganhos financeiros.

Resultados do estudo do Satis Group mostraram que, em 2017, ICOs fraudulentas arrecadaram mais de US$1 bilhão. Kosala Hemachandra, contudo, observa que a frustração em relação às ICOs levou ao crescimento da popularidade do financiamento tradicional e de risco, que pode impulsionar o desenvolvimento de empresas criptomonetárias.

A comunidade do Ethereum

“2019 não será apenas um teste da confiabilidade das tecnologias do Ethereum, mas também do nível de desenvolvimento da comunidade. Para que a rede continue a prosperar, os desenvolvedores devem trabalhar juntos”, ressaltou Hemachandra.

De acordo com Kosala, os desenvolvedores do Ethereum já estão chegando a soluções unificadas e compromissos. As conferências anuais (DevCon) permitem que os participantes do ecossistema interajam harmoniosamente.

“No entanto, agora é mais importante do que nunca apoiar os talentos em todo o setor. Em meio a mercados instáveis, não podemos permitir outra “fuga de cérebros” e, portanto, é extremamente importante que pessoas inteligentes e orientadas para objetivos sejam atraídas para essa área e motivadas não apenas financeiramente”, escreveu Hemachandra.

Confiança em criptomoedas

Segundo ele, para ter menos pessoas desiludidas com a indústria criptomonetária, é necessário elevar o nível de conscientização de projetos fraudulentos.

“Para começar tudo do zero, você precisa fornecer aos recém-chegados da indústria de criptomoedas mais materiais e recursos projetados especificamente para eles”, expressou o criador da MEW.

Um novo nível para desenvolvimentos do Ethereum

Fazendo uma analogia ao Bitcoin, que levou quase 10 anos para atrair atenção das massas, Hemachandra está convencido de que para o desenvolvimento bem-sucedido da rede Ethereum, novas soluções precisam ser desenvolvidas com cuidado e devagar.

“Embora pareça que o desenvolvimento lento é um luxo que o Ethereum não pode arcar agora, isso é exatamente o que ajudará a separar a rede de outros projetos nos próximos anos”, concluiu Hemachandra.