Decred (DCR) – o que acontece quando se troca hype por valor real

Apesar das recentes recaídas no preço do Decred (DCR) que levaram a moeda à marca de US$71, o projeto parece estar lutando por reconhecimento em 2018. O DCR caiu em quase 20% na semana passada, para US$70,79, sendo que a negatividade remanesce, com algumas boas notícias como pano de fundo.

Publicado em 26 de Maio de 2018 por

O Decred é uma criptomoeda com alguns aspectos que saltam aos olhos, mas seu crescimento estrondoso e resiliência frente à desvalorização das criptomoedas no geral faz com que a parte financeira seja a primeira a merecer destaque. Vamos dar uma olhada nesse gráfico:

Decred (DCR) – o que acontece quando se troca hype por valor real. BTCSoul.com

Fonte: https://coinmarketcap.com/pt-br/currencies/Decred/

Em fevereiro de 2017, a moeda valia em torno de US$1. Hoje, ela vale em torno de US$117. Isso significa uma valorizaçao, de fevereiro até hoje, de nada menos que 11600%. Mesmo diante da desapreciação do Bitcoin – e principalmente das altcoins – no início do ano, o Decred se manteve resiliente em relação às outras moedas. Em um mercado no qual a capitalização das criptomoedas, no total, perdeu mais de 70% do valor, aniquilando algumas altcoins, o DCR se manteve abaixo da média da desvalorização e não apenas isso: agora se recupera a um novo valor de topo recorde.

Isso se explica por vários motivos – o principal deles é o hype. Isso acontece quando alguma plataforma de Blockchain decide apresentar uma tecnologia estrondosa, forçar o marketing e criar seguidores que acreditam que ela trouxe algo espetacular. Normalmente, os gestores financeiros anunciam agressivamente novas parcerias e implementações nas redes para criar escaladas no valor da moeda. Mesmo muitas dessas tecnologias sendo realmente espetaculares, o hype é sempre efêmero. É claro que investimentos em hypes são válidos e podem trazer lucros, mas são muito mais voláteis. Esse talvez seja um dos motivos pelo qual o Decred mantém sua escalada ao topo, uma escalada com um gráfico quase vertical.

Tecnicamente, de acordo com sua Blockchain, a maior diferença entre o Decred e o Bitcoin está no uso de um formato híbrido de Proof-of-Work (PoW) e Proof-of-Service (PoS). Em Blockchains como a do Bitcoin, que trabalham com autenticaçao por Proof-of-Work, mineradores resolvem problemas escaladamente dificeis para criar novos blocos contendo transações, e para isso são pagos. Hoje em dia, máquinas especializadas nesse tipo de processo fazem a maior parte do trabalho, já que a dificuldade se auto-regula com a oferta de mineradores que possuem equipamentos capazes de fazer isso mais rápido que os outros. Computadores comuns já não têm poder o suficiente para fazer esse tipo de trabalho, pois a energia gasta superaria a recebida pela criação do novo bloco. Já na Proof-of-Stake (PoS), os blocos ja são pré-minerados, e validadores (não mais mineradores aqui) colocam “apostas” financeiras em blocos que julgam ser verdadeiros (existem técnicas para isso), sendo que o bloco mais votado é o que será criado. Em meio a esse processo, é recebida uma taxa proporcional a quanto foi apostado naquele bloco e o valor da aposta de volta.

O Decred usa um sistema híbrido PoW e PoS, no qual o bloco deve ser primeiramente minerado por um minerador e depois validado por um validador. Aqui, as coisas acontecem de forma diferente, já que os apostadores “investem” em um fundo de apostas e recebem em troca um ticket que será utilizado para validação e retornará um valor maior que o comum posteriormente. Isso diminui chances de fraudes e incentiva um maior número de validadores. Um dos problemas do Bitcoin é que a mineração é a única forma necessária para a criação de novos blocos e, por isso, há uma gigantesca centralização em grupos de mineração. Aqui, como a validação é tão incentivizada quanto a mineração, se espera um balanceamento entre as formas de autenticação.

Esses “tickets” comprados para votos também podem ser usados para votar em mudanças no funcionamento do sistema – ao contrário da maioria das outras criptomoedas, onde mudanças simplesmente não são feitas ou raramente feitas, e são ditadas pela equipe de fundação, muitas vezes a contragosto de seus usuários. No Decred, inclusive, várias votações já foram feitas, algumas sendo rejeitadas e outras aprovadas. É por isso que o “ticket” de um validador também pode ser usado para exercer mudanças na Blockchain ou usado como forma de investimento. Em seu WhitePaper, eles avisam que algumas mudanças no Bitcoin original, como maior facilidade na programação e adição de scripts, facilitarão esses tipos de reformas.

De certa forma, a tecnologia do Decred não é tão impressionante à primeira vista quanto todas essas plataformas Blockchain que andam surgindo, mas  é, sem dúvidas, uma moeda sólida, simples, brilhante e necessária, que resistiu notavelmente às baixas do mercado criptomonetário e teve uma performance excepcionalmente boa em seus períodos de alta.

Carlos Eduardo
Carlos Eduardo é um engenheiro frustrado que, ao decidir investir em criptomoedas e estudar o mercado, decidiu que gostava mais disso que do investimento em si. Já trabalhou como consultor para criptomoedas atualmente no top 100, dApps e publica periodicamente em revistas americanas e, aqui no Brasil, na BTCSoul. Acredita que a adoção geral de uma Smart Economy resolveria boa parte dos problemas do mundo.

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