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No dia 5 de fevereiro de 2019, a gigante tecnológica Google declarou publicamente que estaria lançando seu buscador especializado de Blockchain. Essa nova ferramenta consiste na união dos dados financeiros e transacionais dos endereços das mesmas.

Em seu anúncio, a Google ainda menciona o quanto que esse novo empreendimento em Big Data, campo no qual a empresa é tida como a número 1, pode ser valioso não apenas para cientistas mas também para investigadores e auditores.

As criptomoedas suportadas

De acordo com a Forbes, no ano passado, o desenvolvedor líder Evgeny Medvedev e Allen Day – ambos do Google – discretamente carregaram dados transacionais das blockchains do Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH) para a plataforma de dados analíticos, onde mantiveram seu estudo sobre como os desenvolvedores utilizavam tais informações.

Contudo, agora é o momento onde a expansão foi vista como necessária, quando eles agregaram tudo o que aprenderam observando o citado acima e aplicaram a outras blockchains – numero o qual pode aumentar ainda mais no futuro. Veja a lista:

  • Bitcoin Cash (BCH)
  • Ethereum Classic (ETC)
  • Litecoin (LTC)
  • ZCash (ZEC)
  • Dogecoin (DOGE)
  • DASH

Uma as questões que mais chama a atenção aqui é que o Google conseguiu mapear endereços e transações indo e voltando de endereços que, supostamente, não deveriam permitir isso, como é o caso das blockchains focadas em privacidade como a do ZCash e a do DASH.

Google: facilitando ou dificultando a vida com Blockchain?

google explorer blockchains

Inicialmente, logo quando o próprio conceito de Blockchain surgiu juntamente ao Bitcoin, não muitas pessoas conseguiam entender e analisar como era possível rastrear de onde e para onde vinham os valores.

Contudo, não muito tempo depois, isso não era mais um problema, especialmente com o auxílio de mídia social para “berrar” quando uma transação é feita de um endereço estranho, de fóruns para ajudar a dizer qual seria o provável dono de tal endereço e assim por diante.

E, por mais que o Google esteja inovando com a oferta desses produtos, de forma nenhuma isso é algo inesperado ou até mesmo inconcebível. Mais ou menos hora alguém iria oferecer isso. O problema, são as implicações do uso dessa tecnologia/conhecimento sem escrúpulos – assim como é com qualquer outro.

As ICOs que se cuidem…

Apesar de muitas pessoas já conseguirem ver como anda o tesouro de sua “ICO de estimação” e, até certo ponto, entender para onde foi o Ethereum ou outro ativo armazenado sob a tutela daquelas pessoas, façamos um pequeno exercício de imaginação.

Digamos que com essa nova ferramenta do Google, você possa dizer com precisão de onde e para onde os valores estão indo no endereço de tal instituição, projeto, startup, etc. Isso facilitaria na hora de cobrar contas de indivíduos que talvez se valessem da falta de informação geral para manterem-se no mercado. O mesmo pode ser feito para verificar a falência de alguma suposta Exchange que teve seus fundos “hackeados”.

E, apesar de tudo isso parecer excelente, ainda temos que lidar com a contrapartida, a qual pode não ser tão interessante assim para ninguém.

Os alvos somos TODOS nós!

Sem sombra de dúvidas, uma das primeiras instituições que irá aderir a esse tipo busca esquematizada de Big Data da Google, serão os governos nacionais. E isso ocorrerá exatamente para que eles saibam de onde e para onde AS SUAS CRIPTOMOEDAS estão indo.

Pense só, que beleza, a Receita Federal do Brasil sendo capaz de rastrear se você fez ou não um depósito da Binance, ou ainda, se efetuou uma retirada de outra criptomoeda da Bitfinex.

E isso seria apenas o começo, outras instituições viriam logo atrás! Os bancos certamente ficariam buscando se você investiu no projeto A, B ou C para melhorar as ofertas que eles podem fazer para seu portfólio – o qual provavelmente iria ser ajustado para que o tamanho de suas criptos caibam lá.

Resumindo, nesse tipo de esquema – OBVIAMENTE, considerando que a ferramenta do Google consiga ter esse tipo de precisão – a expectativa de privacidade individual simplesmente acaba e todos nos tornamos a ser meros peões nas mãos daqueles que julgam-se há gerações nossos donos.

Possíveis defesas contra esse tipo de escrutínio

Uma das prováveis táticas para evitar esse tipo de “raio-x” de sua vida criptomonetária, seria a adoção de sistemas onde você troque de endereço de carteira regularmente, até mesmo intercalando entre criptomoedas.

Outra estratégia que talvez se torne viável seria a passagem de valores por uma cripto mais fechada no campo da privacidade, como a Monero. Entretanto, até mesmo esse tipo de teoria pode provar-se pouco no futuro, como já ocorreu com tantas outras.

E, com o mundo todo passando a reconhecer, de uma forma ou de outra, que as criptomoedas possuem valor financeiro, não fica apenas difícil fazer algo do gênero, mas como ilegal.

Em suma, tendo como base o passado e em como nossas “queridas” instituições governamentais têm se portado diante de tecnologias potencialmente totalitaristas, o futuro não parece um lugar assim tão bonito mais.