Mercado em queda – Sinais

Crash da bolsa de valores americana

Publicado em 27 de novembro de 2018 por

Qualquer mercado carrega consigo uma carga das variáveis que os afetam, sejam elas de cunho político, econômico, interno ou externo. Dessa maneira, as oscilações de todo mercado podem ser previstas a partir do conhecimento dos fatores que o altera; antes das movimentações fortes, o mesmo costuma exibir sinais que podem ser decifrados. 

Ciclos da Economia

A economia, de maneira geral, é formada por ciclos que ora estão no topo e ora naquele que parece ser o pior vale da história. No entanto, apesar desses movimentos serem esperados dentro do modelo econômico capitalista, há sempre fatores por trás das agitações do mercado.

As variáveis que afetam esses movimentos podem ser de diversas naturezas, incluindo assuntos políticos, alterações em determinado setor do mercado, enfim. Nesse sentido, é possível perceber indícios do mercado que antecipam as movimentações mais robustas.

Mercado financeiro

Assim como na economia de maneira geral, no mercado financeiro os ciclos também são bastante comuns e podem ser derivados de diversos fatores, incluindo políticas econômicas, como ocorreu no Rio de Janeiro em 1971. Nesse sentido, engana-se quem pensa que as flutuações no mercado são aleatórias, ao contrário disso, por trás delas há sempre razões diretas ou indiretas. 

Com um grande volume de recursos disponíveis para investimentos no mercado acionário, advindos principalmente dos incentivos fiscais do Governo Federal, a demanda por ações cresceu a níveis altíssimos, em contrapartida não havia no mercado novas emissões para equilibrar oferta e demanda. Diante deste cenário, entre dezembro de 1970 e julho de 1971, houve uma grande movimentação especulativa, culminando no “boom” da bolsa do Rio de Janeiro em 1971.

Bolsa do rio de janeiro

Como observado em ciclos parecidos, após a movimentação atingir seu ponto mais alto em julho do mesmo ano, os investidores com maior nível de conhecimento começaram a operar para realizar seus lucros, gerando uma forte pressão de oferta.

Nesse momento, muitos os investidores assustados com os movimentos de queda começaram a vender seus ativos agravando ainda mais o cenário. Paralelamente a estes movimentos, novas emissões começaram a surgir acentuando as quedas e culminando numa crise histórica da Bolsa do Rio de Janeiro.

No entanto, além dos motivos que podem causar crises econômicas de modo geral, o mercado ainda está suscetível a outras variáveis, como os grandes players que, por si só, são capazes de causar grandes flutuações.

Em geral, os mercados são dominados por grandes players capazes de criar situações favoráveis para seus movimentos. Esses investidores podem ser indivíduos ou instituições financeiras possuem a sua disposição as melhores informações, algoritmos especializados ou mesmo softwares avançados que possibilitam os melhores movimentos dentro do mercado. Eles compram seus ativos nos melhores momentos, ou seja, naqueles momentos que o mercado está em queda, quando os outros investidores pensam que o mercado não deve mais subir, e vendem também nos melhores topos.

Nesse sentido, além das varáveis, que obviamente têm influência no mercado, como uma crise generalizada da economia, nos mercados financeiros é preciso ficar atento aos sinais emitidos por outros fatores.

Sinais do mercado

Crash da bolsa de valores americana

Em geral, as quedas mais acentuadas no mercado são resultados de momentos de grande euforia, como ocorreu em 2008. A crise que assolou a economia global há cerca de dez anos surgiu a partir das hipotecas podres ou do subprime – créditos com juros altos concedidos pelos bancos dos Estados Unidos de maneira arbitrária.

Os bancos passaram a agrupar parte desses créditos concedidos em produtos financeiros, chamados derivativos, que rodavam o mercado passando de mão em mão. Quando as pessoas não conseguiram honrar com suas dívidas e os preços dos imóveis despencaram, a bolha estourou.

Nesse cenário, os impactos atingiram os mais diversos setores da economia dos Estados Unidos; o sistema bancário ficou desestabilizado, o Banco Lehman Brothers quebrou, os níveis de sempre subiram e bolsa de valores despencou.

No entanto, os impactos desta crise não restringiram as fronteiras norte americanas e, como uma praga, a crise se espalhou pelo mundo, sendo considerada umas das maiores bolhas das últimas décadas.

No Brasil, por exemplo, ao final de 2007 a Bolsa de Valores de São Paulo fechou o ano em alta de 43,65%, encerrando o período em 63.886 pontos. Neste ano o volume negociado diariamente atingiu cerca de R$ 5 bilhões chegando ao patamar de mais de R$ 1 trilhão no ano e o volume de negociações subiu cerca de 149 % em relação ao ano de 2006.

Além disso, marcaram o ano de 2007 a presença de investidores estrangeiros, os quais absorveram 70% dos volumes negociados e a presença crescente de pessoas físicas investindo na bolsa. No entanto, após o ano excepcional para o Ibovespa em 2007, no ano seguinte as coisas desandaram. Em 2008 a Bolsa de Valores de São Paulo terminou o ano com queda de 41%, representando até então, maior queda desde 1972. Neste ano a bolsa encerrou o ano em 37.550,31 pontos.

Nesse sentido, seja através de movimentações de grandes players, movimentos do mercado como um todo ou resultado de políticas econômicas, por exemplo, o mercado financeiro sempre apresenta sinais de suas próximas movimentações e, de modo geral, sempre antes de entrar em uma queda livre, o mercado dá um grande salto. Após atingir o ponto mais alto de seu gráfico o mercado começa a dar sinais de queda, a essa altura os players com maior conhecimento e mais recursos já estão vendendo suas posições.

Mercado de Criptomoedas

Alta e baixa do BTC

O mercado de criptomoedas apresentou no final do ano passado e início deste ano um cenário semelhante ao do ocorrido na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1971. Ao final de 2017, o volume de negociação do bitcoin, principal criptomoeda do mercado, apresentou enormes taxas de crescimento causando uma alta robusta nos preços.

No dia 16 de outubro de 2017, mês que indicou os primeiros movimentos do boom, o Bitcoin estava cotado em US $ 5732,99 e a capitalização de mercado da criptomoeda era de US$ 95.326.581.147 e, exatamente dois meses depois, em seu maior pico histórico o Bitcoin chegou a valer US$ 19.385,10 e a capitalização de mercado atingiu ao patamar de US$ 324.624.571.103.

No entanto, nesse ponto, o mercado começou a exibir sinais de queda. Apenas dois dias depois da alta histórica o volume de venda começou a crescer, ou seja, muitos investidores estavam vendendo seus ativos e realizando o lucro.

Nesse cenário, muitos indivíduos estavam dispostos a realizar a venda, porém o preço, com o iminente cenário de queda, já não era tão atrativo causando uma repentina baixa no volume de negociações. Uma vez que não há demanda para os preços elevados, os investidores começam a abaixar o preço tentando se desfazer dos seus ativos e evitar perdas maiores, o que, por fim, agravou ainda mais o cenário. Este, o qual, foi o princípio da gigantesca queda que vimos ocorrer por todo o ano de 2018.

Gabriele Couto
Gabriele Couto é uma economista que começou a contribuir para o BTCSoul e a conhecer um universo totalmente inovador. Atualmente, escreve sobre o mundo das criptomoedas tentando correlacioná-lo com os mercados tradicionais.

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