No olho do Golem

Outras sequer seriam imagináveis sem a solução de Satoshi. O Golem faz parte da segunda categoria: seu token de padrão ERC-20, surgido a partir de uma ICO de uma equipe polonesa no ano passado, hoje ocupa a #46 posição em capitalização de mercado das criptomoedas e é um dos projetos mais ambiciosos facilitados pela plataforma.

Publicado em 8 de junho de 2018 por

Muitas coisas que já existiam antes encontraram uma aplicação mais prática com o advento da Blockchain. Outras sequer seriam imagináveis sem a solução de Satoshi. O Golem faz parte da segunda categoria: seu token de padrão ERC-20, surgido a partir de uma ICO de uma equipe polonesa no ano passado, hoje ocupa a #46 posição em capitalização de mercado das criptomoedas e é um dos projetos mais ambiciosos facilitados pela plataforma. A ICO foi encerrada em 20 minutos e arrecadou 820 mil ETH – à época, US$30 milhões.

O Golem cria um marketplace de computação acessível a todos: o usuário fornece seu poder computacional que está sobrando, desde seu laptop parado a grandes centros de dados e recebe GNT por isso. Do outro lado, quem precisa de poder computacional para realizar tarefas exigentes como renderização, cálculo científico e machine learning pode pagar em GNT pelo poder combinado de computadores na medida do necessário. Tarefas fatigantes são divididas automaticamente em “subtarefas” e enviadas a diversas CPUs.

Desenvolvedores podem registrar aplicações especificas e monetizar a partir disso. As possibilidades vão até onde a imaginação chega, como, por exemplo, aplicativos que facilitem a renderização a partir de softwares conhecidos, conectando fornecedores de serviços computacionais a requisitantes com um clique.

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A computação em nuvem não é nada novo, mas estamos falando aqui de um supercomputador decentralizado. O sentido do Golem é, portanto, visivelmente diferente de operadores de computação em nuvem que fornecem serviços de computação em centros de dados centralizados. É possível perceber que aqui, o mesmo usuário pode ser consumidor e fornecedor. Um artista CGI pode pagar para renderizar suas obras pelo poder computacional do Golem de outros usuários e, ao mesmo tempo, quando seu computador estiver parado, pode lucrar ao deixa-lo executando trabalhos por outros.

O primeiro serviço disponibilizado é exatamente esse: o aplicativo Brass Golem permite que um usuário dos programas de modelagem Blender ou LuxRenderer possam dizer quanto estão dispostos a pagar pela renderização de seus cenários e receber um serviço muito mais rápido do que se ele fizesse isso utilizando sua própria máquina.

Brass é o que se denomina de Proof-of-Concept: quase um ano depois de sua ICO, os investidores iniciais podem testar o aplicativo no qual colocaram dinheiro. A ideia é incrivel, mas a prática parece ter decepcionado um pouco a crítica. Até agora, esse é o único serviço disponível, e não há previsão de quando será possível ver o grande Golem prometido se movimentar.

Não era para menos: a equipe está enfrentando barreiras tecnológicas sem antecedentes. É a primeira vez que se vê algo assim. Zawistowski, CEO e fundador do Golem, compara a programação em Ethereum com o que era o desenvolvimento e infrasestrutra web nos anos 90: enquanto hoje existe uma gama de recursos disponíveis para utilização, no início, os desenvolvedores tinham que começar do zero. Zawistowski garante que o próximo passo, depois de implementar o Golem para renderização de CGI, é aplicá-lo em Machine Learning.

Financeiramente, o GNT anda muito bem, tendo crescido 35,47% nos ultimos três meses (quando comparado ao Bitcoin, por exemplo, que perdeu 32,69% do seu valor no mesmo período, isso fica claro). O valor da moeda disparou, naturalmente, no lançamento de seu primeiro aplicativo, que lentamente a elevou ao valor simbólico de quase aproximadamente US$1. Considerando que a plataforma é um dos projetos mais ambiciosos e controversos do Ethereum, esperamos ver o Golem em todo seu potencial o mais breve possível e, é claro, sua subsequente escalada ao topo da capitalização de mercado.

Carlos Eduardo
Carlos Eduardo é um engenheiro frustrado que, ao decidir investir em criptomoedas e estudar o mercado, decidiu que gostava mais disso que do investimento em si. Já trabalhou como consultor para criptomoedas atualmente no top 100, dApps e publica periodicamente em revistas americanas e, aqui no Brasil, na BTCSoul. Acredita que a adoção geral de uma Smart Economy resolveria boa parte dos problemas do mundo.

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