O papel do Bitcoin na história: passado, presente e futuro (primeira parte)

Em 2017, o Bitcoin e outras criptomoedas invadiram a vida da maioria da população mundial. Os ativos digitais, que anteriormente eram o hobby de um grupo relativamente pequeno de entusiastas, se tornaram praticamente o principal tópico de discussões em todo o mundo.

Publicado em 13 de Maio de 2018 por

Em 2017, o Bitcoin e outras criptomoedas invadiram a vida da maioria da população mundial. Os ativos digitais, que anteriormente eram o hobby de um grupo relativamente pequeno de entusiastas, se tornaram praticamente o principal tópico de discussões em todo o mundo.

No entanto, questões filosóficas relacionadas às criptomoedas são mais importantes do que nunca: enquanto alguns veem nelas apenas um meio de enriquecimento rápido, outros contemplam um instrumento financeiro capaz de produzir uma revolução econômica e libertar a humanidade da opressão de funcionários corruptos e banqueiros.

O famoso entusiasta de criptomoedas e libertário Vijay Boyapati, no passado um dos desenvolvedores do Google News, também não ficou do lado de fora: ele publicou um abrangente artigo  no qual decidiu seguir o evolucionário caminho do dinheiro praticamente desde o momento de seu início, e então tentar responder a pergunta: qual lugar ocupará o Bitcoin entre os incontáveis produtos monetários?

Preparamos uma tradução completa do material, dividindo-o em três partes. No primeiro deles, Boyapati analisa a história e a origem do dinheiro, destaca suas principais características e traça paralelos com o Bitcoin.

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Quando o preço do Bitcoin subiu para novas máximas em 2017, uma estratégia de touros para os investidores tornou-se uma coisa tão óbvia que seria tolice mencioná-la novamente. Por outro lado, investir em um ativo digital que não é apoiado por qualquer mercadoria ou governo podia parecer uma loucura, enquanto o acentuado aumento nos preços levou alguns a compará-lo à “tulipamania” ou à bolha de “pontocoms”. A abordagem otimista para o Bitcoin é convincente, mas longe de óbvia. Existem riscos significativos para o investimento, contudo, grandes oportunidades serão evidenciadas daqui em diante.

Gênese

Nunca na história do mundo foi possível transferir valor entre nações distantes sem depender de um intermediário de confiança, como um banco ou governo. Em 2008, Satoshi Nakamoto, cuja identidade ainda é desconhecida, publicou uma solução de nove páginas para o antigo problema da ciência da computação, conhecido como “o problema do general bizantino”. A decisão de Nakamoto e o sistema construído em sua base, o Bitcoin, permitiram pela primeira vez transferir rapidamente valores por longas distâncias sem exigir confiança entre as duas partes. As conseqüências da criação do Bitcoin são tão profundas para a economia – bem como para a ciência da computação –, que Nakamoto pode se tornar a primeira pessoa a reivindicar legitimamente o Prêmio Nobel de Economia e o Prêmio Turing.

Para um investidor, um aspecto essencial da invenção do Bitcoin é a criação de um novo produto digital com uma oferta limitada. Bitcoin são tokens digitais transmitidos criados através de processo de mineração. Este processo é mais ou menos parecido com a mineração de ouro, exceto pelo fato de que a produção segue de acordo com um cronograma previamente estabelecido: a rede foi projetada de tal forma que apenas 21 milhões de Bitcoins podem ser produzidos no total. Até o momento, os mineradores já geraram cerca de 16,9 milhões, isto é, a maior parte do estoque máximo. A cada quatro anos, o número de Bitcoins extraidos é reduzido pela metade, de modo que a produção terminará em 2140.

O Bitcoin não é apoiado por uma mercadoria física e não é garantidos por um governo, nem por empresas, o que gera uma pergunta óbvia para o novo investidor: como ele pode ter valor? Ao contrário de ações, valores imobiliários, imóveis ou até mesmo commodities como petróleo e trigo, o Bitcoin não pode ser avaliado através da análise padrão dos fluxos de caixa, ou da demanda por seu uso na produção de outros bens. O Bitcoin cai em uma categoria completamente diferente de bens, conhecida como bens monetários, cujo valor é estabelecido teoricamente. Ou seja, cada participante do mercado avalia o produto com base em quanto os outros o valorizam. Para entender a natureza teórica dos bens monetários, é necessário saber um pouco sobre a origem do dinheiro.

A origem do dinheiro

Nas primeiras sociedades, o comércio entre grupos de pessoas ocorria por meio de troca, contudo, a ineficácia de tal método limitava fortemente o volume e o escopo geográfico. A principal deficiência do comércio de troca é o chamado problema da dupla coincidência de necessidades. Por exemplo, um produtor de maçã pode querer fazer um acordo com um pescador, mas se este último não precisar de maçãs no momento, a troca não ocorrerá.

Com o tempo, as pessoas desenvolveram um desejo de armazenar certos itens colecionáveis por conta de sua raridade e valor simbólico (conchas, dentes de animais ou sílex). De fato, de acordo com Nick Szabo em seu brilhante ensaio sobre a origem do dinheiro, o desejo de colecionar dava uma vantagem evolutiva excelente ao homem primitivo sobre seus concorrentes biológicos mais próximos, os neandertais.

A função evolutiva primária e final dos colecionáveis é ser um meio de armazenar e transferir riqueza.

Os colecionáaveis serviam como uma espécie de “protótipo de dinheiro”, criando a possibilidade de comércio entre outras tribos antagônicas e permitindo que a riqueza fosse passada entre gerações. O comércio e a transferência de colecionáveis nas sociedades paleolíticas eram bastante raros, e esses bens serviam mais como um “repositório de valor” do que um “meio de troca”, que reconhecemos em grande parte como dinheiro moderno. Szabo explica:

O dinheiro primitivo tinha uma mobilidade muito baixa – ele só podia ser passado algumas vezes durante uma vida média da pessoa. No entanto, o material mais durável, que hoje chamaríamos de relíquia, pode ser preservado por muitas gerações e aumentar seu valor com cada transferência.

O homem primitivo enfrentou um importante dilema teórico ao decidir quais colecionáveis devia coletar ou criar: quais objetos outras pessoas gostariam de ter? Antecipando corretamente quais objetos podiam ser requisitados, seu dono era capaz de obter um enorme benefício devido à capacidade de negociar e adquirir valores.

Algumas tribos nativas americanas, como Narragansett, se especializaram na produção de colecionáveis inúteis simplesmente por seu valor de negociação. Vale notar que quanto mais cedo eles conseguiam antecipar a demanda futura por tais bens, maior era a vantagem de seu dono: os bens poderiam ser comprados mais baratos do que quando se tornassem requisitados, e seu valor no comércio aumentava à medida que a população crescia.

Além disso, a aquisição de um bem na esperança de que ele fosse requisitado como um meio de poupança, acelerou sua disseminação – era um ciclo de feedback que incentivava as comunidades a encontrar rapidamente meios comuns de poupança. Em termos teóricos, isso é chamado de “Equilíbrio de Nash”. Alcançar esse equilíbrio no armazenamento e valorização foi uma das principais vantagens de qualquer sociedade, pois facilitou muito o comércio e a divisão de trabalho, abrindo caminho para o surgimento da civilização.

Por milênios, quando as sociedades humanas cresceram e desenvolveram rotas de comércio, os meios de economia que surgiram nas sociedades individuais competiram entre si. Os mercadores enfrentaram a escolha: manter o produto de seu comércio nos meios de poupança comuns na sociedade deles; os da sociedade com a qual eles negociam, ou um pouco aqui e um pouco ali.

A principal vantagem de manter a poupança em fundos estrangeiros foi facilitar o comércio com a comunidade relevante. Os comerciantes também se beneficiaram da adoção mais rápida de economias externas em sua própria sociedade, pois isso aumentaria o poder de compra de seus ativos.

As vantagens dos meios importados de poupança eram boas não só para os vendedores, mas também para as próprias sociedades: nos povoados que utilizavam os mesmos meios de economia, os custos de comércio entre si eram significativamente reduzidos e o potencial comercial aumentava. De fato, no século XIX, pela primeira vez, a maior parte do mundo reconheceu um único meio de poupança – o ouro –, sendo que durante esse período, ocorreu o maior boom de comércio da história.

Os atributos de um bom meio de poupança

Quando diferentes meios de poupança competem uns com os outros, suas propriedades úteis únicas ganham mais importáncia, o que permite o aumwnto da demanda ao longo do tempo. Embora muitos bens fossem usados como meios de poupança ou “protótipos de dinheiro”, certos atributos que estavam especialmente em demanda e permitiam que os objetos ganhassem dos concorrentes surgiram. Um meio ideal de economia possui as seguintes características:

  • Durável. O objeto não deve ser perecível ou facilmente destruído. Isso significa que o trigo não é um meio ideal de poupança;
  • Móvel. O objeto deve ser facilmente transportado e armazenado, o que permite que ele seja protegido contra perda ou roubo, além de facilitar o comércio de longas distâncias. Assim, uma vaca é menos adequada para tais propósitos que uma pulseira de ouro;
  • Intercambiável. Uma amostra do objeto deve ser intercambiável com qualquer outra do mesmo valor ou volume. Sem intercambiabilidade, o problema da coincidência de necessidades permanece sem solução. Assim, o ouro é mais conveniente que os diamantes, que podem ter várias formas e qualidades;
  • Confirmável. O objeto deve ser fácil de identificar e a validade dele deve ser facilmente verificada – a facilidade de verificação aumenta a confiança do destinatário no comércio e a probabilidade de que a transação seja concluída;
  • Divisível. O objeto deve ser facilmente dividido. Embora esse atributo fosse menos importante nas primeiras sociedades em que o comércio era pouco frequente, ele tornou-se mais importante à medida que as relações comerciais se desenvolveram;
  • Raro. Como disse Nick Szabo, um objeto monetário deve ter um “valor inexplorado”. Em outras palavras, não deve haver uma abundância deste produto, bem como maneiras fáceis de obtê-lo ou produzi-lo. A escassez é talvez o atributo mais importante de um meio de poupança, pois se encaixa no desejo humano inato de coletar o que é raro;
  • Ter uma história longa. Quanto mais longo o periodo durante qual um objeto é considerado valioso para a sociedade, mais atraente ele se torna como um meio de poupança. Os meios de poupança que existem por um longo tempo são difíceis de substituir por algo novo;
  • Ser resistente à censura. Um novo atributo, que está se tornando cada vez mais importante em uma sociedade digital moderna com supervisão onipresente. Essa característica descreve o quão difícil é para uma parte externa, como uma corporação ou estado, proibir o proprietário do objeto de armazená-lo e usá-lo. Bens resistentes à censura são ideais para aqueles que vivem em regimes que tentam tomar o controle do capital ou proibir várias formas de comércio pacífico.

A tabela abaixo mostra Bitcoin, ouro e dinheiro fiat (por exemplo, dólar) junto com os atributos listados acima, seguidos por uma explicação de cada classe:

Durabilidade

O ouro é o indiscutível “rei da durabilidade”. A maior parte do ouro que já foi extraída ou cunhada, incluindo os estoques faraônicos, sobreviveu até hoje e provavelmente existirá milhares de anos daqui. Moedas de ouro, que eram usadas na antiguidade como dinheiro, ainda mantêm um valor considerável.

Por sua vez, moedas fiduciárias e Bitcoin são basicamente registros digitais que podem ter uma forma física (por exemplo, notas de papel). Assim, não é sua personificação física, cuja longevidade deve ser considerada (uma vez que uma nota de dólar gasta pode ser trocada por uma nova), mas a longevidade da instituição que as emite.

No caso das moedas fiduciárias, muitos governos aparecem e somem através de séculos e seu dinheiro desaparece junto com eles. Selos de papel e de aluguel ou, por exemplo, Reichmarks da República de Weimar não têm nenhum valor hoje, porque a instituição que os emitiu não existe mais. Seguindo a história, é tolice considerar moedas fiduciárias duráveis – o dólar americano e a libra esterlina são anomalias relativas a esse respeito.

O Bitcoin, que não possui um emissor central, pode ser considerado durável enquanto a rede que os fornece funciona. Dado que o Bitcoin ainda está em sua infância, é muito cedo fazer conclusões sérias sobre sua longevidade. No entanto, há sinais encorajadores de que, apesar das tentativas de vários estados de regulamentá-lo, bem comoo vários ataques de hackers, a rede continua funcionando, demonstrando um significativo grau de “anti-fragilidade”.

Mobilidade

O Bitcoin é o meio de poupança mais móvel já usado por humanidade. Chaves privadas, que representam centenas de milhões de dólares, podem ser armazenadas em um minúsculo pendrive e ser facilmente movidas a qualquer lugar. Além disso, grandes quantidades podem ser movidas quase instantaneamente entre pessoas de extremos opostos da Terra. As moedas fiduciárias, que hoje têm uma forma predominantemente digital, também são móveis.

No entanto, decretos governamentais e a regulamentação dos fluxos de capital significam que grandes transferências de valor geralmente levam dias ou podem até mesmo ser negadas. Em sua forma física, o dinheiro pode ser usado para reduzir o controle, mas isso aumenta significativamente o risco de seu armazenamento e o custo de transporte.

O ouro, sendo um objeto material e muito denso, é o meio menos móvel que existe. Não é estranho, então, que a maioria dos lingotes nunca é transportada. Quando são trocados entre o comprador e o vendedor, geralmente apenas a propriedade do ouro é transferida, e não o metal em si. A transferência de ouro físico por longas distâncias é dispendiosa, arriscada e laboriosa.

Intercambialidade

O ouro estabeleceu o padrão de intercambiabilidade. Uma onça derretida de ouro é essencialmente indistinguível de qualquer outra onça, e sempre foi negociada dessa forma no mercado. As moedas fiduciárias, por outro lado, são tão intercambiáveis quanto as instituições emissoras permitem.

Embora as notas fiduciárias sejam geralmente equivalentes aos olhos dos comerciantes, houve casos em que as cédulas de grandes e pequenas denominações foram manipuladas de maneiras diferentes. Por exemplo, o governo da Índia, tentando erradicar o mercado cinza, desmonetizou completamente as notas de 500 e 1000 rúpias. Isso levou ao fato de que essas notas são negociadas abaixo da taxa nominal.

O Bitcoin é intercambiável a nível da rede. Isso significa que cada moeda transferida é processada igualmente em toda a rede. No entanto, como o caminho inteiro do Bitcoin pode ser rastreado na Blockchain, cada moeda específica pode ser “estragada” por conta de seu uso no comércio ilegal, e tanto comerciantes como corretoras podem se recusar a aceitá-la. Sem melhorar a privacidade e o anonimato do protocolo de rede, o Bitcoin não pode ser considerado tão intercambiável quanto o ouro.

Confirmabilidade

Na maioria dos casos, tanto moedas fiduciárias quanto o ouro podem ser facilmente verificados quanto à sua autenticidade. No entanto, apesar da disponibilidade de meios anticontrafação nas notas de banco, os estados e seus cidadãos ainda enfrentam o potencial risco de notas falsas. O ouro também não é protegido contra falsificação. Houve uma época em que criminosos inventivos usavam tungstênio banhado a ouro para enganar os compradores. Por outro lado, o Bitcoin pode ser testado com certeza matemática. Usando assinaturas criptográficas, o proprietário do Bitcoin é capaz de provar publicamente que realmente possui as moedas reivindicadas.

Divisibilidade

Um Bitcoin pode ser dividido em cem milhões de unidades e transferido em pequenas quantidades (no entanto, as comissões de rede podem tornar a transferência de quantidades insignificantes extremamente ineficiente). As moedas fiduciárias, como regra geral, podem ser divididas em dinheiro de bolso, que têm um pequeno poder de compra, o que as torna bastante flexíveis na prática. Apesar do fato de o ouro poder ser dividido fisicamente, isso o torna menos conveniente e útil para o uso diário.

Escassez

O atributo que mais distingue o Bitcoin das moedas fiduciárias e do ouro é a limitação de sua oferta: de acordo com o conceito original, apenas 21 milhões de moedas podem ser criadas. Graças a isso, titulares de Bitcoin sabem antecipadamente sua porcentagem da oferta total de moedas no mercado. Por exemplo, um detentor de 10 Bitcoins pode saber que menos de 2,1 milhões de pessoas na Terra (menos de 0,03% da população mundial) podem ter tantas moedas quanto ele.

O ouro, que permanece bastante escasso durante séculos, não está seguro contra o aumento da oferta. Se um novo método econômico de mineração ou aquisição de ouro for inventado, a quantidade de metal valioso disponível pode aumentar drasticamente (por exemplo, mineração no fundo do mar ou de um asteroide).

Finalmente, as moedas fiduciárias, apesar de serem uma invenção relativamente recente, na prática são propensas a um aumento constante da oferta. Os estados demonstraram um constante desejo de inflar a oferta monetária para resolver problemas políticos de curto prazo. As tendências inflacionárias dos governos em todo o mundo obrigam os proprietários de moedas a temer constantemente o declínio do valor de seus ativos.

A história até hoje

Nenhum produto monetário possui uma história tão longa e rica como o ouro, que é valorizado ao longo de toda a história da civilização humana. Moedas cunhadas nos tempos antigos ainda mantêm um valor significativo.

O mesmo não pode ser dito sobre as moedas fiduciárias, que são uma anomalia relativamente recente da história. Desde a sua criação, elas tiveram uma tendência a depreciar. O uso da inflação como um meio insidioso de tributação invisível dos cidadãos tornou-se uma tentação, diante da qual poucos estados foram capazes de resistir.

Se o século XX – quando os fundos fiduciários começaram a dominar o sistema monetário mundial – nos ensinou algo, é que não se pode confiar em fiat em longo ou mesmo em médio prazo.

Por sua vez, o Bitcoin, apesar de sua curta existência, já passou por testes bastante sérios no mercado, portanto, há uma alta probabilidade de que, no futuro próximo, ele não desapareça como um meio de preservação de valor.

Além disso, o efeito Lindy sugere que quanto mais tempo o Bitcoin sobreviver, mais forte será a confiança da sociedade sobre sua segurança e estabilidade. Em outras palavras, a confiança social em um novo produto monetário é assintótica, como mostra o gráfico abaixo:

Se o Bitcoin sobreviver durante 20 anos, as pessoas terão uma confiança quase inabalável de que essa moeda sempre existirá. Assim como as pessoas hoje acreditam que a Internet é uma característica constante do mundo moderno.

Resistência a censura

Uma das razões mais importantes para a demanda inicial por Bitcoin foi seu uso no tráfico ilícito de drogas. Subsequentemente, muitas pessoas assumiram erroneamente que a principal demanda por Bitcoin se devia precisamente ao seu anonimato notório. No entanto, a moeda não é tão anônima: cada transação realizada em sua rede é registrada permanentemente em uma Blockchain pública.

Os registros de transação permitem que posteriores análises forenses determinem a origem do fluxo de fundos. Foi essa análise que levou à prisão do organizador do roubo da plataforma MtGox.

Embora uma pessoa cautelosa e atenta possa realmente esconder sua identidade ao usar Bitcoin, não é por essa razão que a moeda se tornou tão popular com o tráfico de drogas. O principal atributo que torna o Bitcoin útil para atividades ilegais é a falta de permissõesa nível da rede.

Quando os Bitcoins são transmitidos na rede, não há intervenção humana durante a qual as transações seriam permitidas ou proibidas. Como uma rede Peer-to-Peer distribuída, o Bitcoin é inerentemente projetado para se proteger contra a censura.

Isso é muito diferente do sistema econômico no qual os estados regulam bancos e outras instituições financeiras para evitar usos proibidos de produtos monetários. Um exemplo clássico de uma transferência monetária regulada é o controle sobre o movimento do capital. Por exemplo, um milionário pode ter muita dificuldade em transferir sua fortuna para outro país se ele quiser escapar de um regime repressivo.

Por sua vez, o ouro não é emitido pelos estados, mas a sua natureza física dificulta a movimentação, o que torna os metais preciosos muito mais suscetíveis à regulamentação governamental que o Bitcoin. A lei sobre o Controle do Ouro na Índia é um bom exemplo disso.

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O Bitcoin está à frente dos concorrentes na maioria dos pontos listados acima, chegando à frente dos produtos modernos e antigos. Em particular, a eficaz combinação de resistência à censura e escassez absoluta já provou ser um incentivo muito poderoso para muitos investidores ricos investirem parte de seu capital nessa emergente classe de ativos.  

Continua…

Chrys
Chrys é fundadora e escritora ativa do BTCSoul. Desde que ouviu falar sobre Bitcoin e criptomoedas ela não parou mais de descobrir novidades. Atualmente ela se dedica para trazer o melhor conteúdo sobre as tecnologias disruptivas para o website.

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