Após um teste de sucesso, a China está a um passo de ser a primeira nação do mundo a emitir e possuir sua própria moeda digital baseada em blockchain o YuanCoin. Entretanto, ao que parece, ela será muito diferente do Bitcoin em termos de amplo acesso, transparência e imutabilidade.

Os testes da YuanCoin foram bem sucedidos

Após o sucesso em popularidade da primeira moeda baseada em blockchain do mundo, o Bitcoin, o Banco do Governo Popular da China (PBOC) está próximo de emitir sua própria moeda digital centralizada, soberana e apoiada pelo governo que coexistirá com sua moeda física.

Um teste bem sucedido em transações e pagamentos usando a nova moeda digital foi conduzido com sucesso em 15 de dezembro de 2016. Agora, o PBOC está ainda mais próximo de lançar sua nova moeda digital, que uma vez pronta, será conectadacom a já existente Shanghai Commercial Paper Exchange Corp Ltd, formando uma plataforma nacional para transações.

De acordo com um relatório da publicação chinesa Caixin, o “sucesso” dos testes envolveram vários bancos comerciais, incluindo o Banco Industrial e Comercial da China, o Banco da china e o banco privado WeBank.

O PBOC vem trabalhando nesse projeto desde 2014, mas só tornou publico em janeiro de 2016 através de uma declaração, revelando que estaria trabalhando junto ao Citibank e a Delloitte para criar um framework genérico para a moeda digital.

Por que usar a Blockchain?

De acordo com o PBOC, o “YuanCoin” ajudará a reduzir o custo de impressão e circulação da moeda física, além de reduzir a lavagem e evasão de divisas. Mas o que isso realmente significa para o cidadão comum? Como este sistema se difere das moedas digitais que já utilizam blockchains, como o Bitcoin e outras?

A primeira moeda do mundo a ser baseada em blockchain, o Bitcoin não é apenas assegurado por sua criptografia, mas também é imutável devido ao seu algoritmo de prova de trabalho (POW) e seu consenso. Isso significa que o BTC não pode ser adulterado e sua emissão é limitada por seu código, ou seja, apenas existirão 21 milhões de Bitcoins.

Bobby Lee, CEO da mais antiga bolsa de Bitcoins da China, a BTCC recentemente twittou seus pensamentos sobre o assunto. Ele sugere que esta nova moeda digital, provavelmente, será usada para impor ainda maior controle sobre o dinheiro da nação e desafia o PBOC a provar que ele está errado.

Em uma sequência de tweets, Lee questionou a decisão do Banco Central de criar uma moeda baseada em blockchain, levantando questões relevantes. Uma delas foi que a moeda digital acabaria sendo ligada à identidade do usuário, como ocorre com qualquer conta bancária.

Isso significaria que o governo teria acesso à chave privada da conta, “permitindo total controle e poder de censura” e ainda daria “a habilidade de bloquear e congelar os fundos de qualquer um”.

Lee também questiona se o PBOC ao menos se dará ao trabalho de dar aos usuários uma chave privada, uma vez que as transações poderiam ser levadas adiante pelo banco caso eles a tivessem.

Ele ainda pergunta qual será o protocolo. Seriam as regras imutáveis e rígidas, não permitindo nenhuma mudança? Ou seriam editáveis maleáveis? Em outras palavras, por que usar uma blockchain se não haverá proteção de inflação futura e manipulação, já que não haverá limite na quantia em circulação?

Ele questiona o seguinte: “Como esse tipo de moeda seria diferente da moeda fiduciária que temos hoje?”

As preocupações expressadas por Lee são muito pertinentes, pois não existe um motivo real para o PBOC criar uma criptomoeda aberta, imutável e transparente, como o Bitcoin. Ao invés disso, o sistema provavelmente criará uma ferramenta eficaz para que o governo tenha controle total e mantenha vigilância sobre o dinheiro nacional e seus usuários, isso tudo enquanto capitaliza em cima da alta que a blockchain está hoje em dia. Se isso tudo ocorrer, não será surpresa para ninguém, considerando que a China, atualmente, luta contra a fuga de capitais e com a lavagem de dinheiro.

O Equador já tem sua moeda digital

Apesar do PBOC estar prestes a lançar a primeira moeda digital baseada em blockchain e suportada pelo governo, esta não é a primeira vez que uma moeda digital será emitida por um governo.

No Equador, onde o Bitcoin foi oficialmente banido, a primeira moeda virtual suportada por um Estado foi oficialmente lançada em 2015. O Banco Central do Equador age como intermediário e facilita as transações feitas no Sistema de Dinero Electrónico (SDE), mantendo controle e monitoramento em toda e quaisquer transações feitas. Todas as contas eletrônicas estão diretamente ligadas às identidades pessoais dos usuários e à suas contas bancárias. O sistema se apoia em uma base de dados tradicional para armazenar saldos e transações, não utilizando uma blockchain.

Então, enquanto o PBOC está lançando uma moeda baseada em blockchain, o resultado final, provavelmente, não será muito diferente do SDE, que no final das contas é uma base de dados centralizada.

A moeda baseada em blockchain do PBOC pode, sim, atingir os objetivos do governo ao reduzir a fuga de capitais, mas não dará aos usuários privacidade, resistência à censura e margem contra a manipulação da moeda.

O PBOC também emitiu avisos prévios para investidores não utilizarem o Bitcoin como dinheiro. Talvez, esta tenha sido uma tentativa de aviltar a concorrência. Já Simon Dixon, CEO do BnkToTheFuture possui outra teoria, que ele compartilhou em seu twitter:

“O PBOC disse para não usarem o Bitcoin como dinheiro. Será por que dinheiro é algo feito para reduzir o poder de compra do cidadão?”

Esse é o tipo de controle que os governos comunistas querem, o cidadão que trabalha não poderá nem mesmo gastar seu dinheiro sem sua supervisão, trabalhando como escravos e gastando o pouco que recebem como o governo decide.