China faz testes com sua moeda virtual, o YuanCoin

Publicado em 27 de janeiro de 2017 por

Após um teste de sucesso, a China está a um passo de ser a primeira nação do mundo a emitir e possuir sua própria moeda digital baseada em blockchain o YuanCoin. Entretanto, ao que parece, ela será muito diferente do Bitcoin em termos de amplo acesso, transparência e imutabilidade.

Os testes da YuanCoin foram bem sucedidos

Após o sucesso em popularidade da primeira moeda baseada em blockchain do mundo, o Bitcoin, o Banco do Governo Popular da China (PBOC) está próximo de emitir sua própria moeda digital centralizada, soberana e apoiada pelo governo que coexistirá com sua moeda física.

Publicidade

Publicidade

Um teste bem sucedido em transações e pagamentos usando a nova moeda digital foi conduzido com sucesso em 15 de dezembro de 2016. Agora, o PBOC está ainda mais próximo de lançar sua nova moeda digital, que uma vez pronta, será conectadacom a já existente Shanghai Commercial Paper Exchange Corp Ltd, formando uma plataforma nacional para transações.

De acordo com um relatório da publicação chinesa Caixin, o “sucesso” dos testes envolveram vários bancos comerciais, incluindo o Banco Industrial e Comercial da China, o Banco da china e o banco privado WeBank.

O PBOC vem trabalhando nesse projeto desde 2014, mas só tornou publico em janeiro de 2016 através de uma declaração, revelando que estaria trabalhando junto ao Citibank e a Delloitte para criar um framework genérico para a moeda digital.

Por que usar a Blockchain?

De acordo com o PBOC, o “YuanCoin” ajudará a reduzir o custo de impressão e circulação da moeda física, além de reduzir a lavagem e evasão de divisas. Mas o que isso realmente significa para o cidadão comum? Como este sistema se difere das moedas digitais que já utilizam blockchains, como o Bitcoin e outras?

A primeira moeda do mundo a ser baseada em blockchain, o Bitcoin não é apenas assegurado por sua criptografia, mas também é imutável devido ao seu algoritmo de prova de trabalho (POW) e seu consenso. Isso significa que o BTC não pode ser adulterado e sua emissão é limitada por seu código, ou seja, apenas existirão 21 milhões de Bitcoins.

Bobby Lee, CEO da mais antiga bolsa de Bitcoins da China, a BTCC recentemente twittou seus pensamentos sobre o assunto. Ele sugere que esta nova moeda digital, provavelmente, será usada para impor ainda maior controle sobre o dinheiro da nação e desafia o PBOC a provar que ele está errado.

Em uma sequência de tweets, Lee questionou a decisão do Banco Central de criar uma moeda baseada em blockchain, levantando questões relevantes. Uma delas foi que a moeda digital acabaria sendo ligada à identidade do usuário, como ocorre com qualquer conta bancária.

Isso significaria que o governo teria acesso à chave privada da conta, “permitindo total controle e poder de censura” e ainda daria “a habilidade de bloquear e congelar os fundos de qualquer um”.

Lee também questiona se o PBOC ao menos se dará ao trabalho de dar aos usuários uma chave privada, uma vez que as transações poderiam ser levadas adiante pelo banco caso eles a tivessem.

Ele ainda pergunta qual será o protocolo. Seriam as regras imutáveis e rígidas, não permitindo nenhuma mudança? Ou seriam editáveis maleáveis? Em outras palavras, por que usar uma blockchain se não haverá proteção de inflação futura e manipulação, já que não haverá limite na quantia em circulação?

Ele questiona o seguinte: “Como esse tipo de moeda seria diferente da moeda fiduciária que temos hoje?”

As preocupações expressadas por Lee são muito pertinentes, pois não existe um motivo real para o PBOC criar uma criptomoeda aberta, imutável e transparente, como o Bitcoin. Ao invés disso, o sistema provavelmente criará uma ferramenta eficaz para que o governo tenha controle total e mantenha vigilância sobre o dinheiro nacional e seus usuários, isso tudo enquanto capitaliza em cima da alta que a blockchain está hoje em dia. Se isso tudo ocorrer, não será surpresa para ninguém, considerando que a China, atualmente, luta contra a fuga de capitais e com a lavagem de dinheiro.

O Equador já tem sua moeda digital

Apesar do PBOC estar prestes a lançar a primeira moeda digital baseada em blockchain e suportada pelo governo, esta não é a primeira vez que uma moeda digital será emitida por um governo.

No Equador, onde o Bitcoin foi oficialmente banido, a primeira moeda virtual suportada por um Estado foi oficialmente lançada em 2015. O Banco Central do Equador age como intermediário e facilita as transações feitas no Sistema de Dinero Electrónico (SDE), mantendo controle e monitoramento em toda e quaisquer transações feitas. Todas as contas eletrônicas estão diretamente ligadas às identidades pessoais dos usuários e à suas contas bancárias. O sistema se apoia em uma base de dados tradicional para armazenar saldos e transações, não utilizando uma blockchain.

Então, enquanto o PBOC está lançando uma moeda baseada em blockchain, o resultado final, provavelmente, não será muito diferente do SDE, que no final das contas é uma base de dados centralizada.

A moeda baseada em blockchain do PBOC pode, sim, atingir os objetivos do governo ao reduzir a fuga de capitais, mas não dará aos usuários privacidade, resistência à censura e margem contra a manipulação da moeda.

O PBOC também emitiu avisos prévios para investidores não utilizarem o Bitcoin como dinheiro. Talvez, esta tenha sido uma tentativa de aviltar a concorrência. Já Simon Dixon, CEO do BnkToTheFuture possui outra teoria, que ele compartilhou em seu twitter:

“O PBOC disse para não usarem o Bitcoin como dinheiro. Será por que dinheiro é algo feito para reduzir o poder de compra do cidadão?”

Esse é o tipo de controle que os governos comunistas querem, o cidadão que trabalha não poderá nem mesmo gastar seu dinheiro sem sua supervisão, trabalhando como escravos e gastando o pouco que recebem como o governo decide.

Publicidade

Publicidade

Chrys
Chrys é fundadora e escritora ativa do BTCSoul. Desde que ouviu falar sobre Bitcoin e criptomoedas ela não parou mais de descobrir novidades. Atualmente ela se dedica para trazer o melhor conteúdo sobre as tecnologias disruptivas para o website.

8 comentários sobre: “China faz testes com sua moeda virtual, o YuanCoin

  1. Niwmar Souza da silva

    Gostaria de saber, se vocês sabem de algum lançamento de criptomoeda brasileira???

    1. Oi Niwmar,
      Fora vários esquemas de pirâmide que se diziam ser criptomoeda brasileira e, é claro, a moeda BR de zueira DILMACoin, não me recordo de nenhuma. Contudo, isso não quer dizer que no futuro não possa aparecer alguma cripto brazuca com um projeto sério, ou seja, white-paper, equipe de desenvolvimento, que seja bem documentada e etc. Se você conhece alguma, compartilhe conosco que investigamos se procede.

    2. João Medrado

      O Brasil tem a CRIPTOROBALHEIRADIGITAL uma moeda que nunca para.

    3. Paulo

      No Brasil até agora só sei dos alimentos de impostos e de combustível kkkk

  2. Bruno Guerreiro de Moraes

    A china é uma desgraça, mas mais cedo ou mais tarde vai estourar uma revolta geral, todo esse controle será destruído, o Bitcoin por estar sendo centralizado na china sofrerá grandes altas e baixas, e não sei se isso é “ruim” na verdade serão ótimas oportunidades de ganhos para quem for esperto.

    1. Isso já aconteceu no passado, Bruno. Contudo, conforme a moeda cresce provavelmente também surjam outros centros de mineração.

  3. anonimo

    o que o autor pode nos elucidar sobre a tal moeda, LCF CH, é realmente uma nova cryptomoeda ou apenas um golpe?

    1. Oi Amigo, desculpe a demora em responder.
      Essa LCF Coin da LCFHC já foi desmentida pela Rothschild Co. e pelo Banco Central chinês, que afirmou que sua moeda é o YUAN. A moeda híbrida que o banco central chinês está desenvolvendo não tem nada haver com isso.
      Aqui está um artigo com a declaração do PBoC (Banco Popular da China): https://www.btcsoul.com/noticias/pboc-destroi-sonhos-de-riqueza-facil-com-lcfhc/

Leave a Comment